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Doenças de pele de origem comportamental

Por Guilherme Pinheiro Santos. Criada em 28/06/14 13:59. Atualizada em 28/06/14 14:19.

As dermatopatias ocorrem principalemte por agentes microbianos, mas sabe-se que uma boa parte são por pissicopatias

(DESCRIÇÃO DE UM CASO CLÍNICO)

Os acometimentos dermatológicos têm elevada ocorrência na medicina veterinária, pois representam cerca de 20 a 75% dos atendimentos na clínica de pequenos animais e podem ser causadas por bactérias, fungos, parasitas, vírus, protozoários ou, ainda, ter origem imunológica, metabólica, endócrina, tumoral genética ou psicossomática.

O termo psicossomático, utilizado para causas psíquicas (comportamentais, neurológicas) ocasionando lesões corporais (orgânicas), foi descrito na medicina psicossomática por Viktor Weizsäcker em 1947, observando pacientes humanos que apresentavam lesões de pele (eczemas), úlceras, colite, entre outros, depois de passarem por tensões emocionais.

No entanto quando nos referimos aos animais, parece estranho relacionar problemas dermatológicos com problemas comportamentais. Mas os mecanismos fisiológicos são semelhantes aos mecanismos nos seres humanos e compreendem, basicamente, a ação do sistema nervoso central (cérebro), hormônios e a pele.

O cérebro, que recebe as informações, processa e manda os comandos para os vários órgãos através dos neurônios e hormônios, deve estar em perfeito funcionamento para não mandar estímulos demais ou de menos. Se o animal está em completo bem-estar, o sistema nervoso comanda as funções normais e os órgãos, inclusive a pele, funcionam normalmente. No entanto, o estresse, independentemente da causa, aumenta a liberação de noradrenalina.

A noradrenalina (adrenalina), entre outras substâncias e altera o funcionamento metabólico. Os hormônios atuam de forma diferente nas células, na tentativa de garantir níveis altos de glicose no sangue para o animal ou o ser humano conseguir lidar com a situação estressante. Esse mecanismo é, na verdade, um sistema de proteção, denominado de “fuga e luta”, pois prepara os indivíduos para situações perigosas.

Porém, se esse estado permanecer por um período longo de tempo, o organismo sofre danos como baixa da imunidade, câncer, diabetes, hipertensão, ataques cardíacos, entre muitos outros.

O caso a seguir descrito é de um cão da raça Akita muito bem tratado pela proprietária, bem alimentado, com cuidados veterinários, etc.

O cão apresentou, por volta dos cinco anos de idade, queda de pêlos generalizada (várias partes do corpo) e foi levado à clínica veterinária, onde após alguns exames clínicos e laboratoriais detectou-se que o Akita estava com hipotiroidismo (pouca liberação de hormônio da tireóide). Estes casos são tratados com reposição hormonal, como em humanos, administrando o hormônio para o animal.

Houve resultado de imediato, que durou por alguns meses e em seguida o problema voltou. O hormônio foi novamente dosado, através de exame de sangue e percebeu-se que mesmo administrando o hormônio, seus níveis eram baixos e quase não se tinha efeito e os pêlos caíam e a pele apresentava lesões.

O médico veterinário responsável encaminhou para avaliação comportamental, e foi possível perceber na consulta, que o cão estava deprimido (estressado). Havia mudado bruscamente sua rotina (um dos familiares se mudara da casa) e a proprietária não conseguia passear com ele.

Foi indicado uma terapia comportamental de alguns dias, que incluía, entre outras coisas, passeios (mesmo que fossem no quintal), brinquedos específicos para tratamentos comportamentais e alguns medicamentos.

Na primeira semana a proprietária conseguiu passear com ele na rua, pois estava mais calmo. Na Segunda semana os pêlos começaram a nascer e pouco mais de um mês não havia lesões de pele e o pêlo já cobria as áreas de alopecia.

O hormônio continuou a ser administrado, os exames passaram a demonstrar níveis normais e o cão passou a ser mais ativo e interativo.

Casos como esse, em que o estado emocional altera o metabolismo acontecem nos animais e no homem e estão mais comum que nunca, haja vista quantos indivíduos procuram ajuda médica por vários motivos e só conseguem resultado após a busca de equilíbrio e superação de problemas emocionais.

Manter uma vida saudável, que inclui alimentação adequada, passeios, relacionamentos, entre outras coisas é uma nova tendência da medicina e da medicina veterinária rebuscada em um antigo conceito:
“Mens sana in corpore sano” Mente sã em corpo são.

Dr. Valcinir Aloisio Scalla Vulcani
Médico Veterinário
Consultoria em Comportamento Animal
aloisiosv@hotmail.com – 9701 4920

Categorias : Etologia Comportamento

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