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Sistema Cardiovascular

By Guilherme Pinheiro Santos Updated at 11/19/14 09:38 .

1. INTRODUÇÃO

Um sistema circulatório é essencial para qualquer organismo em que a difusão de combustíveis metabólicos e a excreção de resíduos é realizada.

Os órgãos circulatórios e as células sanguíneas tem uma origem comum em conjunto de células mesenquimatosas, que aparecem na parede do saco vitelínico, mais externamente achatam-se e organizam-se como um endotélio.

Nenhuma circulação pode existir com a ausência de um meio para bombear, por este motivo o aparecimento do coração é muito precoce, desde o início, o coração liga-se em uma das extremidades com os vasos que se tornam a aorta e na outra com aqueles que formam três conjuntos de veias: as veias vitelinas, as veias umbilicais, as veias cardinais.

 

2. CORAÇÃO

O coração é o órgão central muscular que funciona como uma bomba de sucção pressão: as diferenças de pressão causadas pela sua contração relaxamento determinam a circulação do sangue e da linfa.

No animal adulto é constituído por: átrio direito, átrio esquerdo, ventrículo esquerdo, ventrículo direito. O coração é constituído por duas bombas em cada lado dentro de um único órgão. A bomba direita recebe mais sangue e este é desoxigenado e o conduz ao tronco pulmonar, já a bomba esquerda recebe sangue oxigenado e o leva para a artéria aorta, que o distribui para todo o corpo.

Em relação ao tamanho, em regra é relativamente maior nas espécies e indivíduos menores. Em geral é considerado cerca de 0,75% do valor corporal, o formato e a posição em geral são semelhantes em todos os mamíferos.

 

2.1. O pericárdio e a topografia do coração

O pericárdio envolve quase completamente o coração e este é essencialmente um saco seroso fechado tão profundamente invaginado pelo coração, as lâminas visceral e parietal do pericárdio prolongam-se entre si em uma reflexão complexa, que se segue os átrios e as raízes dos grandes vasos.

Embora o pericárdio se contorça para acomodar a forma variada do coração durante o ciclo cardíaco, seu componente fibroso impede qualquer distensão significativa.

Está situado no meio do mediastino do tórax e embora geralmente cônico, apresenta uma certa compressão lateral para adaptar-se á compressão semelhante do tórax da maioria dos quadrúpedes.  A incisura cardíaca na borda ventral de cada pulmão permite que o coração tenha um contato restrito com a parede torácica, que normalmente é maior do lado esquerdo, devido a posição assimétrica.

 

2.2. Anatomia geral do coração

O tamanho e a anatomia do coração variam de espécie para espécie. 

O coração é considerado como tendo ápice, base, duas bordas e duas superfícies. O ápice situa-se, centralmente, dorsal ao esterno. A base está orientada dorsalmente, e sua parte mais alta situa-se, aproximadamente, na junção dos terços dorsal e mediano do diâmetro dorsoventral do tórax, ela é formada pelos átrios de paredes finas, que ficam nitidamente separados dos ventrículos por um sulco coronário circundante, que contém os principais troncos dos vasos coronários em um revestimento de tecido adiposo. Os ventrículos constituem uma parte muito maior do coração, que também é muito mais firme devido á maior espessura das paredes.  Embora os ventrículos fundam-se externamente, suas extensões separadas são definidas por sulcos rasos que descem em direção ao ápice. A borda direita cranial é convexa e curvada ventral e caudalmente e a maior parte é paralela ao esterno. A borda esquerda caudal é muito mais curta e é, aproximadamente, vertical. As superfícies, atrial (direita, diafragmática) e auricular (esquerda, esternocostal) são convexas e marcadas pelos sulcos que indicam a divisão do coração em quatro câmaras, os dois átrios dorsalmente e os dois ventrículos ventralmente. Internamente os átrios estão separados pelo septo interatrial. O septo interventricular é a parte que separa os dois ventrículos.

O sulco coronário (atrioventricular) indica a divisão entre o átrio e os ventrículos. Ele circunda quase completamente o coração. A linha de separação entre os dois ventrículos é marcada pelo sulco interventricular paraconal e pelo sulco interventricular subsinuoso.

O coração ainda possui válvulas cardíacas que são estruturas compostas basicamente de tecido conjuntivo, localizadas na saída de cada uma das câmaras cardíacas, que auxiliam no fluxo unidirecional do sangue. Estão localizadas, mais especificamente, entre os átrios e ventrículos, bem como nas saídas da artéria aorta e artéria pulmonar. Quando o sangue passa pelas válvulas, há o fechamento das mesmas, impedindo o refluxo sanguíneo para a câmara cardíaca anterior, sendo que essa abertura e fechamento são regulados pelas pressões presentes no interior da câmara cardíaca.

 

Existem quatro válvulas cardíacas:

a. Mitral ou bicúspide: apresenta dois folhetos. Esta válvula possibilita a fluxo sanguíneo entre átrio e ventrículo esquerdos.

b. Tricúspide: apresenta três folhetos e possibilita o fluxo sanguíneo entre átrio e ventrículo direitos.

c. Aórtica: está localizada na saída do ventrículo esquerdo para a aorta, possibilitando o fluxo sanguíneo entre a luz dessas duas estruturas.

d. Pulmonar: localizada na saída do ventrículo direito para a artéria pulmonar, possibilitando o fluxo sanguíneo entre a luz dessas duas estruturas.

 

O músculo que sustentam as válvulas cardíacas é chamado de papilar, enquanto que as estruturas fibrosas que ligam o folheto valvular ao músculo recebe o nome de cordoalha tendínea (impedem a inversão da válvula).

 

2.2.1. Átrio direito:

Átrio direito forma a parte cranial direita da base do coração e situa-se dorsalmente ao ventrículo direito. Consiste em um seio venoso das cavas, no qual se abrem as veias e uma aurícula. Existem cinco óstios principais no átrio direito. O óstio da veia cava cranial está situado na parte dorsal. O óstio da veia cava caudal está situado na parte caudal. O seio coronário abre-se ventralmente à veia cava caudal. O óstio atrioventricular direito situa-se na parte ventral e conduz ao ventrículo direito.

 

2.2.2. Ventrículo direito:

O ventrículo direito constitui a parte cranial direita da massa ventricular. Ele forma quase toda a borda cranial do coração, mas não alcança o ápice. É algo triangular em seu contorno e tem a forma de um crescente, em corte transversal.  É guarnecido pela valva atrioventricular direita (tricúspide) e pela valva pulmonar.

 

2.2.3. Átrio esquerdo:

O átrio esquerdo forma a parte caudal da base do coração. Situa-se caudalmente ao tronco pulmonar e à aorta e dorsalmente ao ventrículo esquerdo. As veias pulmonares abrem-se no átrio caudalmente ao mesmo e do lado direito. O óstio atrioventricular esquerdo está situado ventrocranialmente.

 

2.2.4. Ventrículo esquerdo:

O ventrículo esquerdo forma a parte caudal esquerda da massa ventricular. Ele é mais regularmente cônico do que o ventrículo direito e sua parede é muito mais espessa, exceto no ápice. Ele forma todo contorno caudal da parte ventricular e do ápice do coração. É guarnecido pela valva atrioventricular esquerda (bicúspide ou mitral) e pela valva aórtica.

 

2.3. A estrutura do coração

A espessa camada média da parede (miocárdio) é composta de músculo cardíaco. É revestida externamente pelo pericárdio visceral (epicárdio) e internamente pelo endocárdio, uma lâmina fina lisa contínua com o revestimento dos vasos sanguíneos.

As partes atriais e ventriculares do músculo são separadas por um esqueleto fibroso, que é formado principalmente pela conjunção dos anéis que circundam os quatro orifícios cardíacos.  O esqueleto fibroso é perfurado para dar passagem ao feixe atrioventricular que conduz o impulso para a contração.

A musculatura atrial é fina, já a musculatura ventricular é muito  mais espessa também dispõe de feixes superficiais e profundos. Alguns feixes superficiais enrolam-se ao redor de ambas as câmaras, utilizando o septo para completar um trajeto em forma de oito.

 

3. ANATOMIA FUNCIONAL

A contração coordenada é essencial para o bombeamento eficiente, a contração assíncrona de fascículos musculares é ineficaz e rapidamente fatal quando envolve a musculatura ventricular. O nodo sinoatrial é o marca passo, de onde a onda de excitação normalmente difunde-se para todas as partes do músculo, tem o nível máximo de atividade espontânea quando descarregado por estímulos externos, mas, em circunstâncias normais, sua descarga é determinada pelo fino equilíbrio de entradas simpáticas aceleradoras e vagais retardadoras. 

O fluxo sanguíneo está ligado a estas atividades. O sangue entra nos átrios enquanto a pressão no interior das veias supera a pressão no interior do coração. Vários fatores de magnitude incerta e variável contribuem para a pressão venosa. 

As valvas pulmonar e aórtica fecham-se durante o relaxamento ventricular, quando a pressão arterial excede a pressão nestas câmaras. A contração ventricular fecha as valvas atrioventriculares, a eversão das cúspides para os átrios sendo impedida pela contração oportuna dos músculos papilares.

Os dois ventrículos não se contraem identicamente. A luz ventricular direita é comprimida em uma ação “de fole, em que a parede externa é tracionada em direção ao septo. O ventrículo esquerdo mais cilíndrico contrai-se radialmente e no comprimento, supõe-se  que a contração radial  tenha o maior efeito. 

O fechamento das valvas cardíacas produz sons distintos, audíveis à auscultação.

 

3.1. Suprimento sanguíneo

O coração recebe sangue venoso de três fontes. A veia cava cranial traz sangue da cabeça, pescoço, apêndices torácicos e tórax. A veia cava caudal coleta sangue venoso do abdome, pelve e apêndices pélvicos. O átrio direito recebe sangue venoso proveniente do miocárdio por meio do seio coronário. Quando o sangue retorna ao coração através de veias do corpo, ele entra no átrio direito de onde é impulsionado para dentro do ventrículo direito. É bombeado para os pulmões por meio do tronco pulmonar. As artérias pulmonares cedem gás carbônico e absorvem oxigênio. O sangue oxigenado nos pulmões retorna, por meio das veias pulmonares, ao átrio esquerdo, que o impulsiona para o ventrículo esquerdo. O ventrículo esquerdo bombeia o sangue através da aorta e artérias sistêmicas através dos capilares, e este retorna ao coração pelas veias.

 

4. A CIRCULAÇÃO NO FETO E ALTERAÇÕES APÓS O NASCIMENTO

A placenta combina as funções que mais serão desempenhadas pelos pulmões, trato digestório e rins, durante a vida fetal.  O sangue, portanto é reabastecido com oxigênio suprido com nutrientes e tem os resíduos removidos em sua circulação através da placenta. É conduzido de volta ao feto por duas grandes veias umbilicais que giram no cordão umbilical e unem-se em uma só onde entram o umbigo.

A placenta recebe a maior parte do fluxo através da aorta descendente, por meio das artérias umbilicais, estas se ramificam das artérias ilíacas e deixam o feto no umbigo, junto ao ducto alantóico. A corrente sanguínea fetal entra em perfeita posição com a corrente sanguínea materna na placenta, embora a espessura e a permeabilidade da barreira tecidual interposta variem entre as espécies.

As alterações que acompanham o nascimento não acontecem imediatamente como muitos acreditam, são necessárias horas ou dias, varia entre as espécies. O fechamento permanente dos canais fetais redundantes requer um tempo muito maior. A parada da circulação placentária pode anteceder ou suceder o início da ventilação pulmonar, de acordo com as circunstâncias do parto. O coto da veia umbilical fora do abdome seca e a parte intra-abdominal transforma-se lentamente nos ligamentos redondos do fígado. As superfícies umbilicais feridas constituem uma entrada potencial para infecção, o ducto alantóico e a veia trombosa sendo vias adequadas para a disseminação.

 

5. BIBLIOGRAFIA

Sisson & Grossman: Anatomia dos animais domésticos / Robert Getty; [tradução Alzido de Oliveira... et al.]. – [reimpr.] – Rio de Janeiro: Guanaba Koogan, 2008.

Horst Erich Konig, Hans-Georg Liebich / Anatomia dos animais domésticos - tradução: Régis Pizzato; revisão técnica: José Manoel dos Santos; consultoria em nomenclatura anatômica: Luciana Silveira Flôres Schoenau. – 4. Ed. – Porto Alegre: Artmed, 2011.

 

Autores:

Fernanda Regina Cinelli

Acadêmica do curso de Medicina Veterinária

Universidade Federal de Goiás - Campus Jataí

Eloiza Melo e Silva

Acadêmica do curso de Medicina Veterinária

Universidade Federal de Goiás - Campus Jataí

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